Missões

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

O perigo de lutar as guerras que não são de Deus!

Será que as guerras que lutamos neste momento são aquelas nas quais Deus nos quer envolvidos? Ou é apenas nosso ego humano que nos dirige?


A história narrada em quatro capítulos da Bíblia* soa mais atual do que nunca. Poderia estar em qualquer manual de liderança moderno. Conta a história de um jovem que, por uma série de circunstâncias assumiu um reino do alto de seus oito anos de idade. Muito jovem, portanto. Suas brincadeiras, se é que tinha tempo para isso, giravam em torno de decisões e aprendizado para governar. Esta longa jornada pedagógica se seguiu pelos doze anos seguintes.
Aos 20 anos ocupou-se de uma reforma espiritual que levou seu povo a destruir todos os resquícios de idolatria, que estava instaurada em Judá, cuja capital era Jerusalém. Infelizmente, o povo de Deus havia se desviado e ido atrás dos falsos ídolos. Desde os 16 ele havia se voltado a compreender a vontade de Deus e quanto seu povo havia se desviado da verdade. Destruiu tais ídolos, seus altares e desterrou seus falsos profetas. Também extirpou os adivinhos e feiticeiros.
Seis anos depois de iniciada a reforma, o rei tomou o encargo de reparar o Templo, aparentemente em ruínas e abandonado. Também restabeleceu as cerimônias e o cântico, dando especial destaque ao trabalho dos levitas. As coisas em Jerusalém respiravam o doce ar da verdadeira adoração.
O ponto alto desse movimento foi a leitura da Lei aos ouvidos de todo povo e a celebração da Páscoa. O que ocorreu quando o rei estava com 26 anos, ou seja, dezoito anos depois de iniciar seu reinado. Como Israel passou tanto tempo sem celebrar uma festa vital? Tanto o escritor de 2 Reis, quanto o de 2 Crônicas, se referem a tal celebração nos seguintes termos:
Porque nunca se celebrou tal páscoa como esta desde os dias dos juízes que julgaram a Israel, nem em todos os dias dos reis de Israel, nem tampouco dos reis de Judá (2 Rs 23:22)
Nunca, pois, se celebrou tal páscoa em Israel, desde os dias do profeta Samuel; nem nenhum rei de Israel celebrou tal páscoa como a que celebrou Josias com os sacerdotes, e levitas, e todo o Judá e Israel, que ali se acharam, e os habitantes de Jerusalém (2 Cr 35:18).
Porém, aos 39 anos, ainda jovem o rei ouviu notícias ruins. O Faraó Neco subiu do Egito[1] para lutar contra Carquemis[3], ao norte, nas proximidades do Eufrates, então reino da Assíria.

Josias interceptou a caravana e foi duramente repreendido por Faraó, nos seguintes termos (grifos meus): “Que tenho eu contigo, rei de Judá? Não é contra ti que venho hoje, mas contra a casa que me faz guerra; e disse Deus que me apressasse; guarda-te de te opores a Deus, que é comigo, para que ele não te destrua (2 Cr 35:21)”. Porém, Josias não se deu por achado, montou exército para se opor.
O grupamento de Faraó já ia a 130km de Jerusalém[2], quando um Josias intempestivo e transtornado, ignorando todos os bons pressupostos de estratégia de guerra de então, lhe saiu ao encontro disfarçado no meio da multidão. Os arqueiros egípcios, sob ordens de Faraó, dispararam contra ele e o feriram. Josias que veio a falecer a caminho de Jerusalém. Tinha, como dissemos, apenas 39 anos. Judá lhe fez um grande pranto e sua morte foi lamentada pelos poetas e profetas. O resto é História.
Há algumas caras lições neste episódio:


  • Alguém pode até ser chamado por Deus, andar na linha, promover reformas, fazer grandes coisas no reino, mas não pode brincar com as circunstâncias. Ou seja, a chamada de Deus na vida de alguém não chancela qualquer conduta irresponsável;
  • Saindo da vontade de Deus, não oramos, nem buscamos sua direção. Daí em diante muitas coisas ruins podem e irão acontecer. Esta saída pode se dar até em meio a uma vida de santidade e adoração, quando nos tornamos autossuficientes;
  • Os textos mostram que nenhum auxiliar de Josias procurou demovê-lo de sua intenção. Cerque-se das pessoas que te digam não, quando isso for necessário. Do contrário, cego por exércitos que atacam outros objetivos (ou até mesmo exércitos invisíveis) poderemos pagar com nossa própria vida;
  • Fora da vontade de Deus podemos ser repreendidos por Faraó, um ímpio qualquer. Infelizmente, homens de Deus, tem sido repreendidos em seus desvarios por pessoas vis, cuja estatura moral é absurdamente inferior à sua. Deus permite que as burras de Balaão advirtam seus servos;
  • Algumas dessas decepções podemos superar e ter uma nova chance. Porém, noutros casos iremos sucumbir e podemos proporcionar uma perda muito maior à nossa família. O sucessor de Josias se tornou servo de Faraó, que ainda impôs um pesado tributo ao reino.

  • Lute as guerras que são de Deus. Do contrário, a derrota é certa. E naquelas onde não houver clara definição, se omita!
    * 2 Reis: 22 e 23, 2 Crônicas: 34 e 35

    Fonte: Reflexões Sobre Quase Tudo

    domingo, 4 de agosto de 2019

    Dica de Livro - Revestidos de Poder

    Nos últimos anos algumas editoras têm publicado algumas obras de grande relevância no meio evangélico, mais especificamente sobre a Teologia Pentecostal, um dos seguimentos, se não o maior, que mais cresce no mundo.


    No Brasil temos uma infinidade de obras voltadas a Teologia reformada, obras de autores renomados e grandes influenciadores naquilo que tem sido recorrente no meio pentecostal: uma notável mudança na crença de alguns cristãos que, antes pentecostais, correm atrás da Teologia reformada em busca de um cristianismo mais maduro, de fé mais  prática no que se refere a salvação.


    Felizmente, principais editores como CPAD, Carisma dentre outras, nos têm apresentado obras magníficas sobre o pentecostalismo, desde sua raiz ainda no dia de pentecostes a seu desenvolvimento na história do cristianismo, antes e pós Reforma protestante. Entre estas grandes obras sobre o assunto, gostaria de recomendar o excelente livro “Revestidos de Poder”, do amigo Gutierres Fernandes Siqueira, obra que deve ser sem dúvida lida por todo cristão Pentecostal, e, por que não, irmãos reformados.  


    Gutierres Fernandes é Teólogo e grande especialista no assunto, já há mais de dez anos o acompanho em seu blog, o “ Teologia Pentecostal ”, um dos principais blogs sobre o assunto. No livro, a proposta de ser uma introdução a Teologia pentecostal é acompanhada por erudição e questões de suma importância sobre o pentecostalismo, como: glossolalia, liturgia, evangelismo. A evangelização é algo importante no pentecostalismo bíblico. Um dos principais propósitos do batismo com o Espírito Santo para o crente é o revestimento de poder para desempenhar com autoridade a propagação do evangelho, cumprir o ide de Cristo através da evangelização no mundo.


    Destaco também a ótima abordagem sobre a relação do movimento pentecostal com o protestantismo histórico. Destaco aqui o papel importante do livro no mercado editorial, se tornando uma referência assim como o blog se tornou na internet. O autor dirige-se não apenas a pentecostais, mas também aos não pentecostais, o que traz em seu conteúdo respostas a questões importantes sobre os principais desafios do pentecostalismo no Brasil, suscitando respostas que até então poderiam ser difíceis de serem respondidas.

    Sem dúvida, um dos melhores livros que já li sobre o assunto.
    Gutierres consegue com brilhante perfeição, desfazer estereótipos que maculam ou prejudicam a verdadeira identidade pentecostal.


    Informações do livro:

    Altura 22,5
    Largura 14,5
    Número de páginas 144

    Acabamento: Brochura

    Blog do Gutierres Fernandes: Teologia Pentecostal

    quarta-feira, 29 de maio de 2019

    Os desafios da pequena, mas crescente igreja do Kuwait


    Igreja secreta de trabalhadores migrantes no Kuwait: estudo bíblico, oração e louvores ao som de pandeiros e tamborins

    Assim como os demais países da Península Arábica, o Kuwait é o lar de muitos trabalhadores vindos da Ásia e África. Dentre esses trabalhadores, muitos são cristãos e trazem seus pastores, estratégia missionária e a paixão por compartilhar o evangelho com os colegas de trabalho. A maioria deles se reúne em encontros informais e não nas poucas igrejas de estrangeiros que são permitidas pelo governo. Desde que eles não se envolvam em evangelismo público, esses cristãos passam despercebidos pelo regime do país.

    Além desses grupos de trabalhadores, a igreja da Península Arábica também é formada por pequenos e informais grupos de cristãos ex-muçulmanos. Eles se reúnem secretamente para estudar a Bíblia, adorar a Deus e alcançar outros. E esses grupos estão crescendo. Mas como é a igreja no Kuwait?

    Várias fontes de dentro do país informam que o número de kuwaitianos aceitando Jesus está crescendo rápido. Um colaborador ativo entre cristãos locais disse que até mesmo entre policiais encarregados de manter as diferentes religiões sob controle existem agora seguidores de Cristo. Vários colaboradores afirmam que a pressão do governo sobre os cristãos é bem moderada no Kuwait, desde que eles não chamem a atenção em público.

    No entanto, há dois desafios dentro da igreja no Kuwait. Um líder cristão local explica: “para muitas pessoas neste país, tanto nacionais como estrangeiras, ganhar o máximo de dinheiro possível é o objetivo final de sua vida. Isso pode distraí-los de colocar Deus em primeiro lugar”. O outro desafio que ele menciona é a falta de unidade. “Parece que há poderes em jogo, que atacam o corpo de Cristo do lado de dentro. Parece que agora que a perseguição vinda de fora não teve êxito, Satanás tenta atacar a igreja pelo lado de dentro, colocando os líderes uns contra os outros”, conclui.


    Você pode ajudar a igreja kuwaitiana a manter o foco em Jesus e, assim, crescer e se fortalecer. Com uma doação, você possibilita que eles tenham material de discipulado em formato digital. Como eles vivem a fé em segredo, o formato digital facilita o acesso seguro de muitos cristãos aos ensinamentos da palavra de Deus. Sacie os que têm fome da palavra.

    Pedidos de oração

    • Louve a Deus pelos kuwaitianos que aceitaram Jesus como Salvador e Senhor.
    • Clame para que os cristãos possam saber que sua suficiência está em Cristo e não em bens materiais.
    • Interceda pela unidade da igreja, para que o amor prevaleça acima das diferenças.

    Dica de leitura - Simplesmente Crente


    "Michael Horton demonstra que esta tentativa de buscar a próxima grande coisa na vida espiritual tem deixado muitos cristãos desiludidos e desapontados. Somos convidados a recuperar o senso de contentamento naquelas coisas simples e comuns da vida cristã, as quais foram dadas por Deus para a nutrição e crescimento de seu povo."


    Simplesmente Crente

    Eis uma leitura que classifico como indispensável para os dias atuais, um livro único ao tema que se propõe.
    A vida ordinária é bela!

    Neste livro, Michael Horton nos convida a entender o quanto a vida ordinária, ou seja, a vida comum, corriqueira, o dia a dia é bela, didática, para crescermos na graça.

    Horton nos mostra que um certo tipo de obsessão de muitos evangélicos hoje por aquilo que chamam de extraordinário, o "incomum" de Deus tem sido estabelecido como cultura cristã em nossa época, e, ao agirem desta forma, acabam ignorando completamente os aspectos práticos da vida cristã e que deveriam ser comuns a nós.

    Este tipo de comportamento, que cria uma cultura para atrair pessoas às igrejas, de uma forma comercial, o autor explica quanto isto pode ser prejudicial e maléfico para a comunidade local, pois acabam gerando nos cristãos o sentimento de confiança em si mesmos, e não no Senhor.

    Outro perigo dessa abordagem é a presente sensação de ambição e grandeza, gerada por ser uma igreja de destaque e relevante, um sentimento de superioridade sobre outras igrejas.

    Horton traz uma abordagem importante a nós, cristãos que desejamos viver uma vida não extraordinária, mas de forma comum, que glorifique à Deus no dia a dia, em ambientes como trabalho, faculdade, escola, família e igreja local. O Deus extraordinário, quer de nós coisas e atitudes ordinárias, para que tenhamos em nossa alma alegria, paz e crescimento na sua graça.

    É sem dúvida um livro que todo cristão deveria ler, tanto cristãos das grandes igrejas quanto os que de fato já vivem uma vida ordinária, uma vida comum, que glorifica a Deus nas mínimas coisas, conforme os ensinamentos simples que Jesus nos trouxe.

    Editora: Editora Fiel

    Páginas: 320

    sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

    Deus usa missionários improváveis



    Não procure fugir de seu chamado

    “A palavra do Senhor veio a Jonas pela segunda vez: Vá a Nínive e pregue contra ela a mensagem que eu vou dar. Jonas entrou na cidade e a percorreu durante um dia, proclamando: ‘Daqui a quarenta dias Nínive será destruída’.
    Os ninivitas creram em Deus. Proclamaram jejum, e todos eles, do maior ao menor, vestiram-se de pano de saco. O rei de Nínive vestiu-se de pano de saco e proclamou: ‘Não é permitido que nenhum homem ou animal coma ou beba coisa alguma, clamem a Deus com todas as suas forças. Deixem os maus caminhos e a violência. Talvez Deus… abandone a sua ira, e não sejamos destruídos”.

    Deus viu como abandonaram seus maus caminhos e não os destruiu como tinha ameaçado”. (Jonas 3:1-10).
    "POR INCRÍVEL QUE PAREÇA AOS CRENTES INCRÉDULOS, DEUS AINDA USA SUA PALAVRA PARA TRANSFORMAR VIDAS E SOCIEDADES".
    Jonas não queria ir a Nínive. Mas Deus decidiu enviá-lo. Não só para mudar o coração de Jonas, mas para dar uma lição a seu povo, mostrando que Seu amor não respeita barreiras humanas. Jonas nem pensou mais em resistir. Ouviu a ordem de Deus, preparou a mochila, e pôs o pé na estrada.
    Muitos de nós, quando Deus nos chama para falar do Evangelho para nossos colegas, ou para uma tarefa missionária também resistimos. “O Senhor sabe que esse povo é complicado e que eu não sou a pessoa indicada”. Mas Deus continua lhe convidando para participar da Sua missão. Ele não procura servos perfeitos, usa até pessoas como Jonas, como você e eu!
    Jonas chegou a Nínive e começou a pregar. Faltava ainda a maior parte da cidade quando houve um avivamento. Não apareceu nenhum policial para calar esse maluco, o povo ouviu, reconheceu seus pecados e creu em Deus – toda uma cidade grande, após um dia de pregação!
    Ninguém precisou convencer o outro a se juntar ao clamor de arrependimento. Foi uma reação espontânea, de ricos e pobres, de poderosos e escravos. O rei deixou seu trono e humilhou-se diante de Deus. Tornou-se obrigatório participar do jejum, do clamor a Deus, do arrependimento. Não foi um mero ato público de um político interessado em aumentar o seu Ibope, mas uma busca sincera de Deus! Que experiência incrível!
    A intensidade do clamor a Deus não era só motivada pelo medo do juízo e pela consciência do pecado. Havia um fator de esperança no perdão de Deus. Como  esse povo discerniu o caráter de Deus, a partir de tão pouca pregação e tão pouca misericórdia do pregador?
    A violência e a corrupção eram características da vida dos ninivitas, e também da nossa sociedade. Isso pode mudar? O texto diz que sim, quando a Palavra é anunciada, pode acontecer uma transformação operada pelo Espírito Santo.
    Jonas estava sozinho, entre um povo violento e orgulhoso. Talvez você se sinta sozinho na escola, no trabalho, na rua: “Será que vale a pena me arriscar e falar com esse pessoal?”
    Por incrível que pareça aos crentes incrédulos, Deus ainda usa Sua Palavra para transformar vidas e sociedades.
    Você está disposto a ser instrumento de Deus? Quem muda os corações é o Espírito Santo, mas Ele usa pessoas falhas e inseguras. Temos coragem de dizer que pecado é pecado, que faz mal para nós e para os outros, e ofende a Deus? Que o arrependimento é necessário?
    Você crê que o Deus de Jonas ainda é o mesmo Deus hoje, que usa pessoas imperfeitas, dispostas a levar a sua mensagem? E que pode mudar a vida de sua escola, do seu bairro, da sua cidade, do nosso país?

    Antonia Leonora Van Der Meer foi missionária em Angola, em tempos de guerra, por 10 anos, trabalhou no Centro Evangélico de Missões por quase 17 anos. Fez Mestrado em Teologia e Doutorado em Missiologia. É uma das líderes do CIM – Cuidado Integral de Missionários.
    Fonte: Comunhão (Cristianismo Hoje)