Missões

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Subsídio para Lição Bíblica: As obras da carne e o fruto do Espírito - Lição 01. 1º Trimestre de 2017

Subsídio elaborado pelo departamento da Escola Dominical da Assembleia de Deus em Recife-PE


Texto: Gl 5.16-26

INTRODUÇÃO
Neste primeiro trimestre de 2017 estudaremos sobre: “As Obras da Carne e o Fruto do Espírito: como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente”. Nesta lição introduziremos o assunto trazendo importantes informações sobre a epístola aos Gálatas; trataremos sobre as duas naturezas existentes no crente e o combate que há entre elas; e, por fim, quais as obras da carne e o fruto do Espírito e como estão classificadas.
I – A EPÍSTOLA AOS GÁLATAS 
1.1 Sobre a Galácia. “O termo 'Galácia' podia descrever seja o distrito geográfico ao norte da província, ou a província inteira. Esta ambiguidade deu origem às duas teorias diferentes para o destino da epístola, a da Galácia do Norte, e a da Galácia do Sul, sendo que a primeira restringe o termo 'Galácia' à área geográfica, e a última o interpreta no sentido provincial, abrangendo a área ao sul” (GUTHRIE, 2011, p. 27). A maioria dos intérpretes opina que esta carta foi enviada as igrejas da Galácia do Sul.
1.2 O surgimento da Igreja nas regiões da Galácia. Temos o registro claro de Paulo ter fundado igrejas nas cidades de Derbe, Listra, Icônio e Antioquia durante sua primeira viagem missionária (At 13.13,14; 14.16,21- 24). Ele mesmo pregara a eles o evangelho (Gl 1.8,9; 4.13). No começo da segunda viagem, Paulo voltou a estas cidades “confirmando as igrejas” (At 15.41; 16.5). Lucas acrescenta que o grupo missionário “percorreu a região frígia e gálata” (At 16.6). 
II - INFORMAÇÕES SOBRE A EPÍSTOLA AOS GALÁTAS
2.1 Autoria. Há evidências internas e externas acerca da autoria paulina de Gálatas. A epístola reivindica a autoria paulina (Gl 1.1; 5.2). Praticamente todo o capítulo 1 e 2 são autobiográficos; os debates do capítulo 3 (Gl 3.1-6,15) foram postos na primeira pessoa do singular; os apelos do capítulo 4 se referem diretamente às relações existentes entre os destinatários da epístola e o seu autor (Gl 4.11,12-20); a intensidade do testemunho de Paulo aparece no capítulo 5 (Gl 5.2,3); e a conclusão, no capítulo 6, termina com uma alusão aos sofrimentos do autor por amor a Cristo (Gl 6.17). Quanto as referências externas, segundo Lopes (2011, p. 14) “os principais Pais da igreja nos primeiros séculos confirmam a autoria paulina de Gálatas, tais como: Irineu, Orígenes e Jerônimo”.
2.2 Destinatários. A Epístola aos Gálatas é uma missiva circular do apóstolo Paulo. Ela foi dirigida “às igrejas da Galácia” (Gl 1.2). Essa epístola fazia o rodízio nas reuniões cristãs de uma região e era lida em público, prática comum no século 1º (lTs 5.27; Cl 4.16). Portanto, Gálatas é a única carta de Paulo escrita a um grupo de igrejas, em vez de a uma única e determinada igreja. Segundo estudiosos chegou-se a conclusão de que “essa epístola foi escrita às igrejas do Sul da Galácia fundadas por Paulo e Barnabé quando de sua primeira viagem missionária, ou seja, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe (At 13.13-14.25).
2.3 Data e Lugar. Segundo Beacon (2006, p. 21 – acréscimo nosso), “nenhuma evidência determina com certeza quando e onde Paulo escreveu esta epístola. Há, porém, algumas referências na carta que ajudam a fixar claramente a data dentro de certos limites. O relato do Concílio de Jerusalém (Gl 2.1-10; At 15) e o conflito subsequente com Pedro em Antioquia (Gl 2.11-18) determinam que a data mais recuada possível seja durante a permanência de Paulo em Antioquia, entre sua primeira e segunda viagens missionárias — aproximadamente 48-50 d.C.”. Esta é portanto, cronologicamente, a epístola mais antiga do apóstolo Paulo. 
2.4 Assunto. O tema da epístola aos Gálátas é: “Salvação pela graça mediante a fé”. Merril (1995, p. 275 – acréscimo nosso) nos diz que: “Gálatas pode ser chamada 'a Magna Carta da emancipação espiritual' por declarar que “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós [...] para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito” (Gl 3.13,14)”. Lutero a considerava o melhor dos livros da Bíblia. Essa carta tem sido chamada “o grito de guerra da Reforma Protestante” (LOPES, 2011, p. 13). Segundo Champlin (2004, p. 847) a “epístola aos Gálatas tem sido corretamente intitulada de Declaração da Independência Cristã. No entanto, é ao mesmo tempo uma missiva que nos mostra a nossa completa dependência de Deus”.
2.5 Propósitos. “A Epístola aos Gálatas constitui um protesto contra a distorção do Evangelho de Cristo. A verdade essencial da justificação pela fé em vez de pelas obras da lei fôra obscurecida pela insistência dos judaizantes em como os crentes em Cristo deviam guardar a lei, se esperavam ser perfeitos perante Deus. Quando Paulo soube que esta doutrina começava a penetrar nas igrejas gálatas afastando-as do seu patrimônio de liberdade escreveu o protesto apaixonado contido nesta epístola” (MERRIL, 1995, pp. 279,280 – acréscimo nosso).
III – A VELHA E A NOVA NATUREZA
3.1 A velha natureza. Também chamada de carne, no grego “sarx”. Nas Sagradas Escrituras, o termo é usado tanto para descrever a natureza humana, como para qualificar o princípio que está sempre disposto a opor-se ao Espírito. Tal propensão para as práticas pecaminosas herdamos de Adão, que quando transgrediu afetou toda a raça humana (Gn 4.7; 8.21; Sl 51.5; Rm 7.18). Barclay (1988, p. 24) diz que “a carne é aquilo que o homem fez de si mesmo em contraste com aquilo que Deus fez”. É preciso destacar que a carne não pode ser confundida com o corpo, no grego “soma”, visto que este é uma dádiva divina (Gn 2.7) e é o Templo do Espírito Santo (I Co 6.19). A cerca dessa “natureza” a Bíblia nos orienta a não andarmos segundo seus impulsos (Rm 8.1-a); nos despojarmos dela (Ef 4.22); e, fazer morrer seus desejos (Cl 3.5).
3.2 A nova natureza. Esta nova natureza é fruto da regeneração ou novo nascimento, ato que se dá na vida de quem aceita a Cristo, tornando-o participante da vida e da natureza divinas. Esta nova vida nos é transmitida pelo Espírito (Jo 3.8; Tt 3.5). Tal ato é concedido ao crente quando pelo Espírito, ele desliga o pecador de Adão e o conecta com Cristo (I Co 12.13). Paulo ilustra tal mudança de condição quando diz que éramos zambujeiro, mas fomos enxertados na boa oliveira que é Cristo, e por meio da sua seiva, o Espírito Santo, podemos produzir bons frutos (Rm 11.17-24; Gl 5.22).
3.3 A guerra interior. Fomos salvos da condenação e do poder do pecado, mas não ainda da presença do pecado (Rm 7.18,23). No campo do nosso interior ainda se trava uma guerra, um conflito permanente entre a carne e o Espírito. Eles são o opostos  entre si. Paulo tratou da guerra interior que existe em cada cristão com as suas duas naturezas (Rm 7.22.23; Gl 5.17). Nessa batalha “carne versus espírito”, vencerá aquele que dermos a maior preferência (Gl 5.16).
IV – AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO
Nenhum trecho da Bíblia apresenta um mais nítido contraste entre o modo de vida do crente cheio do Espírito e aquele controlado pela natureza humana pecaminosa do que Gálatas 5.16-26. Paulo inclui uma lista específica tanto das obras da carne, como do fruto do Espírito. Vejamos quais são e como podem ser classificados:
FRUTO DO ESPÍRITO     OBRAS DA CARNE
 Na área sexual ProstituiçãoEm relação a DeusAmor
ImpurezaAlegria
LascíviaPaz
 Na área religiosa IdolatriaEm relação ao próximoLonganimidade
FeitiçariaBenignidade
HeresiasBondade
    Na área interpessoal    InimizadeEm relação a si mesmo
Porfia
Emulações
IraMansidão
Pelejas
Dissensões
InvejasTemperança
Homicídios
Bebedices
Glutonarias
CONCLUSÃO
A Lei apenas denomina o pecado e o condena, mas não é capaz de operar transformação no pecador, pois esta é uma atribuição exclusiva do Espírito. É andando nEle que o cristão produzirá as virtudes de Cristo, contra as quais coisas não há condenação da Lei.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.
BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. VIDA NOVA. 
CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
GUTHRIE, Donald. Gálatas: introdução e comentário. VIDA NOVA.
HOWARD, R.E et al. Comentário Bíblico. CPAD.
LOPES, Hernandes Dias. Comentário Expositivo Gálatas. HAGNOS.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.  CPAD.
TENNEY, Merril C.  O Novo Testamento, sua origem e análise. VIDA NOVA.

IEADPE

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Os cheiros do estábulo

Por Randy Kilgore


Lucas 2:15-20


E ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco). —Mateus 1:23
Um estábulo? Que lugar para dar à luz ao Messias! Os cheiros e sons de um curral foram a primeira experiência humana do nosso Salvador. 

Como outros bebês, Ele pode até ter chorado ao ouvir os sons dos animais e dos estranhos desfiles ao redor de Seu berço provisório. Se foi assim, essas teriam sido as primeiras de muitas lágrimas. Jesus viria a conhecer a perda humana e a tristeza, as dúvidas que Seus irmãos e a família tinham a Seu respeito e a dor que Sua mãe experimentou quando o viu ser torturado e morto. 

Todas estas dificuldades — e muito mais — aguardavam o bebê que tentava dormir naquela primeira noite. Mesmo a partir de Seus primeiros momentos, Jesus era “…Deus conosco” (Mateus 1:23), e Ele sabia o que significava ser humano. Isso iria continuar por mais de três décadas, culminando em Sua morte na cruz. 

Por causa do Seu amor por você e por mim, Jesus se tornou plenamente humano. E o fato de Ele ser humano permite que se identifique conosco. Nunca mais poderemos dizer que ninguém nos compreende. Jesus nos compreende. 

Que a luz que entrou no mundo naquela noite lance o seu brilho nos recantos mais profundos de nossa alma neste Natal, dando-nos a paz na terra sobre a qual os anjos falaram há tanto tempo.
Jesus nos compreende.

Sofonias 1–3
Apocalipse 16

Fonte: Pão Diário

sábado, 17 de dezembro de 2016

Subsídio Para Lição Bíblica: Sabedoria divina para tomada de decisões - Lição 12

Subsídio produzido pelo departamento de Escola Dominical da Assembleia de Deus em Recife-PE

Texto: (I Re 4.29-34)
INTRODUÇÃO
Veremos nesta lição a definição da palavra sabedoria; estudaremos algumas informações sobre o rei Salomão pontuando aspectos da sua habilidade; veremos exemplos de sabedoria em alguns personagens bíblicos; analisaremos o ensino bíblico sobre a busca do saber; e por fim, concluiremos citando os dois tipos de sabedoria, a terrena e a celestial.
I – DEFINIÇÃO DO TERMO SABEDORIA
1.1 Definição de Sabedoria. O termo grego para sabedoria é “sophia” e significa: “habilidade nas questões da vida”, “sabedoria prática”, “administração sábia e sensata” ou “uso correto do conhecimento” (Lc 21.15; At 6.3; 7.10; Cl 1.28; 3.16; 4.5). A sabedoria é a capacidade espiritual de ver e avaliar nossa vida e conduta do ponto de vista de Deus. Inclui fazer escolhas acertadas e praticar as coisas certas de conformidade com a Palavra de Deus e na direção do Espírito Santo (STAMPS, 1995, p. 1926). Ter sabedoria é pensar bem e agir bem em qualquer empreendimento realizado, seja secular ou espiritual (CHAMPLIN, 2004, p. 7). A Bíblia diz que a sabedoria é: a) um atributo divino (1Rs 3.28; Dn 2.20; Sl 104.24; Rm 11.33); b) uma dádiva de Deus (Dt 34.9; Ed 7.25; Pv 2.6,7); c) o temor do Senhor (Jó 28.28; Sl 111.10; Pv 9.10); d) é dada por Deus (Sl 19.7; 119.98; Pv 8.33; Cl 3.16); e) somos exortados a buscá-la (Pv 4.5,7; 23.23; Tg 1.5); e, f) é mais valiosa que pedras preciosas (Pv 8.11; 16.16).
II – O REI SALOMÃO
2.1 O rei Salomão. Era filho do rei Davi e o seu nome foi escolhido pelo próprio Deus (1Cr 22.9), e aparece na genealogia de Jesus (Mt 1.6,7). É mencionado quase trezentas vezes no AT e uma dúzia de vezes no NT. É citado como um exemplo de esplendor (Mt 6.29; Lc 12.27), e de sabedoria (Mt 12.42; Lc 11.31), e reinou em Israel durante quarenta anos (1Rs 11.42). É identificado também como o construtor do templo (At 7.47), e uma das colunas do templo recebeu seu nome (Jo 10.23; At 3.11; 5.12). Salomão passou sete anos construindo o templo de Deus, e treze anos construindo seus palácios para si mesmo (1Rs 6.37 até 7.1). Construiu uma casa em Jerusalém para sua esposa egípcia, a filha do Faraó (2Cr 8.11). Edificou ainda cidades para servir de celeiro em locais estratégicos (1Rs 9.15-19; 2Cr 8.1-6). O esplendor dessas construções era motivo de admiração para os visitantes do reino (1Rs 10.4-7) (WIERSBE, 2010, p. 401).
2.2 O significado do seu nome. Salomão vem do termo hebraico “shatom”, que significa “paz”, e, durante seu reinado, Israel teve paz com seus vizinhos (1Rs 5.1-10). Seu pai, Davi, havia arriscado a vida no campo de batalha e derrotado as nações inimigas a fim de tomar suas terras para Israel, mas Salomão usou uma abordagem diferente em relação a diplomacia internacional. Fez tratados de paz com outros governantes casando-se com suas filhas, o que ajuda a explicar o fato de ele ter setecentas esposas princesas bem como trezentas concubinas (1Rs 11.3). No entanto, a lei de Moisés advertia que os reis de Israel não deveriam multiplicar esposas para si (Dt 17.14-20) (WIERSBE, 2010, p. 401).
III - A SABEDORIA DO REI SALOMÃO
Sem dúvida, uma das grandes virtudes do rei Salomão foi sua sabedoria. Quando o Senhor lhe apareceu em Gibeão e lhe disse: “pede-me o que queres que eu te dê” (1Rs 3.5) ele respondeu: “A teu servo, pois, dá um coração entendido para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; porque quem poderia julgar a este teu tão grande povo?”. Esta palavra pareceu boa aos olhos do Senhor, e Ele lhe deu não apenas sabedoria, mas, também, riqueza e glória (1Rs 3.1-12). A oração de Salomão foi curta, direta e proferida com humildade, pois três vezes se referiu a si mesmo como “teu servo” (1Rs 3.6-9). É provável que, nessa época, Salomão tivesse cerca de 20 anos de idade. Referiu-se a si mesmo como “uma criança” (1Cr 22.5; 29.1).
3.1 Salomão sentiu o peso da responsabilidade de governar um povo. Por esse motivo, não pediu riqueza ou outra coisa que lhe trouxesse vantagens pessoais. Ele pediu sabedoria para governar com justiça. O rei Salomão compôs três mil provérbios e mil e cinco cânticos (1Rs 4.31,32), e é autor de três livros: Provérbios, Eclesiastes e Cantares. As Escrituras afirmam que pessoas de todas as nações vinham a Jerusalém para ouvir suas palavras de sabedoria (1Rs 4.34; 10.6,7). Salomão buscou, em Deus, sabedoria para reinar (RICHARDS, 2010, p. 223).
3.2 Salomão pediu a Deus a verdadeira sabedoria e não simplesmente inteligência. O texto bíblico destaca que Salomão “falou das árvores, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que nasce na parede; também falou dos animais, e das aves, e dos répteis, e dos peixes. E vinham de todos os povos a ouvir a sabedoria de Salomão e de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria” (1Rs 4.33,34). De onde vinha tanta sabedoria? O texto bíblico revela que Salomão orou pedindo a Deus sabedoria (1Rs 3.9), e que o Senhor respondeu-lhe integralmente (1Rs 3.10-12). Esta é a fonte da sabedoria de Salomão e explica o porquê de ninguém conseguir superá-la.
IV – ALGUNS EXEMPLOS DE SABEDORIA NA BÍBLIA 
A sabedoria é o reconhecimento que tudo que temos e somos vem do Senhor: “[...] porque dele é a sabedoria e a força [...] ele dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos” (Dn 2.20,21). A Bíblia registra diversos exemplos de pessoas que usaram a sabedoria. Vejamos alguns: a) Abigail. Sua sabedoria fez com que Davi poupasse a sua vida e de sua família (1Sm 25.1-35); b) A mulher anônima. Sua sabedoria fez com que Joabe poupasse uma cidade (2Sm 20.15-22); c) O sábio anônimo. Com sua sabedoria ele livrou a sua cidade de um grande e poderosos exército  (Ec 9.14,15); d) Daniel. Ele era mais sábio do que todos em Babilônia; mas, atribuía sua sabedoria a Deus (Dn 1.17-20; 2.23-30); e) Jesus. Sua sabedoria causava admiração em todos que lhe ouviam (Mt 13.54; Mc 6.2); e, f) Paulo. Pregou e ensinou de acordo com a sabedoria de Deus (1Co 2.6,7; 2Pe 3.15).
V - O ENSINO BÍBLICO SOBRE A BUSCA DA SABEDORIA
5.1 Precisamos desejar a sabedoria (Tg 1.5,6). O desejo de Deus é que andemos em sabedoria (Cl 1.9,28). O apóstolo Tiago ensina que a única maneira de alcançá-la é pedindo a Ele (Tg 1.5). Por isso, sempre que precisarmos de sabedoria devemos recorrer a Ele, que é a fonte de toda sabedoria (Dn 2.20; Rm 11.33; Tg 1.17). É interessante observar que o termo grego para pedir neste texto é “aiteõ” e tem o sentido de “implorar”, “desejar ardentemente”, ou seja, devemos recorrer a Deus pedindo-lhe sabedoria, tendo ardente desejo no coração, pois, ela é concedida a pessoas que reconhecem o seu valor e a buscam com diligência (Pv 4.5-7; 8.17).
5.2 Precisamos pedir a sabedoria (2Cr 1.10; 1Rs 3.8). O apóstolo ensina ainda que Deus tem prazer em dar sabedoria. Ele dá liberalmente, ou seja, sem limites ou reservas (Êx 28.3; 31.3,6; 35.31; Dt 34.9; I Rs 3.28; 5.12; Ed 7.25; Pv 2.6).  “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Rm 8.32).
5.3 Precisamos procurar a sabedoria (Pv 2:4-5). O maior exemplo bíblico pela busca da sabedoria é o do rei Salomão, que diante da grande responsabilidade de reinar sobre todo o povo de Israel, não hesitou em pedir um coração sábio e entendido (1Rs 3.7-9). O Senhor, então, lhe deu sabedoria, mais do que a todos os homens (1Rs 3.10-14; 4.29,30,34; 10.24; 1Cr 1.10-12). E, mesmo quando o rei pecou, Deus não lançou-lhe em rosto a sabedoria que lhe havia dado (1Rs 11.1-13). O verdadeiro tesouro não está exposto e não é tão fácil de se conseguir. Ele está escondido esperando para ser descoberto (Pv 2.6).
VI – DOIS TIPOS DE SABEDORIA
A sabedoria que vem de Deus, e o apóstolo Tiago fala desta sabedoria que vem do alto para distingui-la da humana de origem terrena e má (Tg 3.13-17). Irrefutavelmente, a sabedoria que vem de Deus é o meio pelo qual o homem alcança o discernimento da boa, agradável e perfeita vontade divina (Pv 2.10-19; 3.1-8,13-15; 9.1-6; Rm 12.1,2). Sem esta sabedoria, o ser humano vive à mercê de suas próprias iniciativas, dominado por suas emoções, sujeitando-se aos mais drásticos efeitos das suas reações. Vejamos a diferença entre a sabedoria terrena e a divina: 
6.1 A sabedoria que é de baixo (Tg 3.15). Esta sabedoria não procede de Deus e possui três características principais. Vejamos: a) terrena: É a sabedoria deste mundo, em contraste com a que procede do céu (Jo 3.12; I Co 1.20,21; Tg 1.5). É uma sabedoria limitada, egocêntrica, como a dos inimigos da cruz de Cristo, que só pensam nas coisas terrenas (Fp 3.19); b) animal: É uma sabedoria totalmente à parte do Espírito de Deus; e c) diabólica: Essa foi a sabedoria usada pela serpente para enganar Eva, induzindo-a a querer ser igual a Deus e fazendo-a descrer de Deus para crer nas mentiras do diabo (Gn 3.1-5). 
6.2 A sabedoria que é do alto (Tg 3.17). A verdadeira sabedoria vem de Deus (Tg 1.5; 17). Essa sabedoria está em Cristo  (1Co 1.30; Cl 2.3). Essa sabedoria está na Palavra, visto que ela nos torna sábios para a salvação (2Tm 3.15). Ela nos é dada como resposta de oração (Ef 1.17; Tg 1.5). Podemos ver algumas características desta sabedoria: a) Ela é pura: A sabedoria que vem do alto não pode conduzir o homem ao pecado e impureza (Pv 2.7; 4.11); b) Ela é pacífica: A sabedoria divina não é contenciosa, nem facciosa (Pv 3.17; Mt 5.9; Tg 3.14); c) Ela é moderada. A sabedoria do alto trata de não criar conflitos; d) Ela é tratável: Essa sabedoria faz uma pessoa comunicável e de fácil acesso (Fp 3.7); e) Ela é cheia de misericórdia: A verdadeira sabedoria produz profundo sentimento de misericórdia no homem (Rm 12.30; Cl 2.12); e f) Ela é justa e sem parcialidade. Quando a temos julgamos conforme a verdade (1Rs 3.16-28). 
CONCLUSÃO
Podemos entender que Deus dá inteligência aos homens para que estes possam analisar as situações da vida e tirar delas conclusões que servirão para si mesmos e para outras pessoas, em forma de conselhos e advertências, como ocorreu na vida de Salomão. Ninguém pode ser considerado sábio se os seus conselhos não revelarem princípios do saber divino. O sábio não se caracteriza apenas por ter muita informação ou inteligência, mas é alguém que aprendeu o temor do Senhor como a base de toda sua vida e, por isso, sabe viver e conviver (Tg 3.13-18).
REFERÊNCIAS
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.  CPAD.
ELLISEN, Stanley. Conheça Melhor o Antigo Testamento. VIDA.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.


Fonte: Departamento da EBD da IEADPE

sábado, 3 de dezembro de 2016

Esboço da Lição 10 - Adorando a Deus em meio à calamidade - 4º Trimestre de 2016

Texto: (2 Cr 20.1-12)
INTRODUÇÃO
O rei Josafá governou por 25 anos no Reino do Sul e foi um dos poucos bons reis que administraram sobre o povo de Deus. Nessa lição veremos as peculiaridades da sua personalidade e seu comportamento. Através de uma das suas experiências, aprenderemos sobre a adoração a Deus diante das calamidades, bem como elencaremos alguns elementos pertencentes a verdadeira adoração e os seus respectivos resultados.
I – DEFININDO OS TERMOS ADORAÇÃO E CALAMIDADE
Josafá teve sua história marcada pelo sucesso espiritual, político e militar e esta prosperidade se deu como resultado de sua vida íntegra diante de Deus e da sua obediência aos mandamentos divinos. A adoração a Deus e também a calamidade são duas situações bem evidentes na vida desse monarca. Vejamos uma básica definição desses dois termos:
1.1 Adoração. Essa palavra quer dizer: “veneração elevada que se presta a Deus, reconhecendo-lhe a soberania sobre o universo”. Do hebraico “sãhâ” e do grego “proskyneo”, enfatizam ambas o ato de prostração e reverência (ANDRADE, 2006, p.33). À luz do texto sobre a adoração destacamos: a) A verdadeira adoração é teocêntrica (2Cr 20.3,4,18,19,21; Mt 4.10), pois ela prioriza Deus e não as nossas necessidades (Jó 1.20-22; Mt 15.25); b) A adoração genuína é ultracircunstâncial (2Cr 20.2,12,15; Hc 3.17,18); ou seja,  não se limita às circunstâncias favoráveis;  c) Voluntária: “[...] pôs a buscar... pôs-se em pé [...]” (2Cr 20.3,5);  e d) Reverente: “Então , Josafá se prostrou com o rosto em terra [...]” (2Cr 20.18; Is 6.2; Mc 1.40; 5.33; 7.25).
1.2 Calamidade. Segundo Aurélio esse termo significa:“Desgraça pública; catástrofe; flagelo; infortúnio; infelicidade” (FERREIRA, 2004, p. 364). A calamidade é algo possível na trajetória cristã, precisamos entender que não estamos imune aos infortúnios dessa vida. Tragédias, crises financeiras, problemas de saúde e etc, são naturais a essa vida e comum ao crente e ao não crente (Jó 1.18,19; 2Rs 4.1,2; Mt 7.24-27; Jo 11.1-5). Porém para os que servem a Deus a calamidade será superada (Pv 24.16; Sl 57.1).
II – CARACTERÍSTICAS DA ADORAÇÃO DE JOSAFÁ
Josafá cujo nome significa: “o Senhor tem julgado” (GARDNER, 2005, p. 376); apesar da sua piedade descrita nas Escrituras (2Cr 17.3-6), passou por uma experiência calamitosa proveniente de uma confederação de inimigos. É importante lembrar como inicia o capítulo: “E sucedeu que, depois disto os filhos de Moabe, e os filhos de Amom, e com eles outros dos amonitas, vieram à peleja contra Josafá” (2Cr 20.1). Embora toda a reforma produzida pela liderança do rei (2Cr 19.4-11), agora encontra-se em uma situação adversa. Apesar de ter muitos aliados políticos, o  monarca se põe a buscar a Deus, ensinando qual deve ser a atitude a tomar diante das dificuldades. Como veremos a seguir:
2.1 Oração (2Cr 20.3-12). A oração é um dos elementos da adoração do monarca, segundo Matthew Henry sobre essa oração de Josafá destaca: a) Ele reconhece o domínio soberano da Providência divina (v.6); b) Josafá se apega à relação de aliança que tinham com Deus, e ao interesse que tinham nele. “Tu, que és o Deus nos céus, és o Deus dos nossos pais” (v. 6), “e o nosso Deus”, (v. 7); c) Josafá mostra o direito que eles tinham a esta boa terra em cuja posse estavam: “Deste à semente de Abraão, teu amigo” (v.7-b); d) Ele faz menção do santuário, o templo que eles haviam edificado para o nome de Deus (v. 8), e) Ele protesta contra a ingratidão e a injustiça dos seus inimigos (vs.10,11); e f) Josafá professa toda a sua dependência de Deus por livramento (v.12). (HENRY, 2006, p.738 – acréscimo nosso). Diversos textos das Sagradas Escrituras incentivam o crente a orar (1Cr 16.11; Sl 105.4; Is 55.6; Am 5.4,6; Mt 26.41; Lc 18.1; Jo 16.24; Ef 6.17,18; Cl 4.2; 1Ts 5.17). A oração feita pelo rei nos mostra que, ele confia mais em Deus do que nos seus recursos militares. A oração coletiva e a comunhão são elementos indispensáveis para a vitória (At 4.31).
2.2 Jejum (2Cr 20.3-b). A reação espiritual de Josafá foi apropriada e também didática, o rei e a nação clamaram a Deus em oração e jejum, que nesse caso foi nacional incluindo até as crianças (2Cr 20.13). O jejum era um sinal de pesar (Jz. 20.26; Jl 2.12). Ele é definido como a abstinência parcial ou total de alimentos com finalidades específicas. Essa prática vem desde o AT, onde o povo de Israel jejuava por diversas razões (Sl 69.10; 2Sm 12.16). Do período de Samuel em diante, vemos o jejum sendo uma prática para enfatizar a sinceridade das orações do povo de Deus quando Israel enfrentava problemas especiais (1Sm 7.6; At 13.2). Jejuns específicos às vezes eram feitos assim como também os regulares (Lv 16.29,31; Zc 8.19), para buscar a ajuda de Deus em circunstâncias especiais (Jz 20.26; Ed 8.21-23; Jl 1.14; 2.15-16). A prática do jejum foi incorporada ao NT, entre outros caso, a igreja de Antioquia é uma clara demonstração de que os crentes da igreja primitiva observavam essa prática (At 13.2,3; 2Co 6.5) por isso nós devemos também praticar (Mc 9.29; Mt 9.15).
2.3 Louvor (2Cr 20.18-21). Além da oração e jejum podemos encontrar o louvor como um outro elemento utilizado por Josafá na adoração. Louvar, significa: “adorar”, “glorificar”, “magnificar”, “oferecer ações de graças”. O louvor brota do coração que sente gratidão, ação de graças ou admiração. O homem que se regozija em seu coração, profere palavras de louvor em meio as batalhas desta vida (Sl 50.23; 103.3; 148.1; 150.1-6; Tg 5.13). Em direção ao campo de batalha por meio do louvor a Deus, Josafá expressa sua confiança na intervenção divina.
III – OS RESULTADOS DA ADORAÇÃO EM MEIO A CALAMIDADE
Diante de um verdadeiro adorador não se sustentam barreiras ou impossibilidades, a adoração é o caminho para o coração de Deus (Sl 51.17), é um dos segredos da vitória do cristão. Notemos as ações de Deus como resultados da adoração:
3.1 A resposta de Deus (2Cr 20.14,15). No momento da adoração coletiva Deus entra em ação, quando o rei ainda estava falando, Deus ouviu, e por meio de um profeta o povo é encorajado a confiar em Deus, embora a ira do inimigo era ameaçadora; essa é uma das grandes promessas para os que o servem com fidelidade: “Ele me invocará, e eu lhe responderei [...]”  (Sl 91.15). “Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes” (Jr 33.3). A mensagem profética entregue por Jaasiel começou com um apelo à atenção: “Dai ouvidos”, esse apelo foi acompanhado por um encorajamento, “Não temais”, e finalmente por um convite à ação: “Amanhã descereis contra ele” (ADEYEMO, 2010, p.519). Foi por meio da adoração a Jesus que a mulher cananéia recebeu a atenção e respectivamente o milagre que precisava (Mt 15.25,28). O homem leproso que se encurvou diante de Cristo, a mão graciosa lhe é estendida restaurado plenamente sua saúde (Mc 1.40-42).
3.2 A garantia da vitória (2Cr 20.15-17). Por meio de Jaaziel o Senhor dos Exércitos transmite a Josafá e a todo povo uma mensagem garantindo a vitória contra os inimigos. A notável profecia desse servo de Deus centra-se no duplo pronunciamento de que é o Senhor e não Israel quem terá de pelejar. No todo há quatro coisas principais. Notemos: a) uma ordem repetida para não temer (v. 15, 17); b) declarações repetidas de que a batalha não é vossa, mas de Deus (v. 15, 17); c) uma promessa repetida de que Deus estará convosco (v. 17); e d) instruções para amanhã sobre onde ir e ver o  “livramento”, “vitória” ou “salvação”. A promessa básica, de fato, combina várias antigas passagens do Antigo Testamento que afirmam que o Senhor luta por Israel (Êx 14.13-14; Dt 20.4; 1Sm 17.37) (SELMAN, 1994, p.336 – acréscimo nosso). Josafá e seu povo receberam essa garantia com fé, reverência e gratidão; o rei curvou a cabeça, e depois, todo o povo se prostrou diante do Senhor e adorou, levantando a voz em louvor a Deus.
3.3 Os inimigos derrotados e o regresso triunfal (2Cr 20.22-27). Subordinados a orientação divina o povo começa a cantar louvores sem utilizar armas de guerra, mostrando que a fé em Deus é mais segura do que o poder bélico. Mediante esse ato de adoração o Senhor “pôs emboscadas” e “desbaratou” os inimigos; uma contenda interna provoca a autodestruição do exército oponente, sem ser necessário nenhum confronto físico por parte de Judá, conforme Deus havia prometido (2Cr 20.17; Sl 91.8). Quando Judá chegou, restou-lhe apenas juntar os despojos da guerra, tarefa que durou três dias. Jubilando pela vitória voltam pra Jerusalém da mesma forma como saíram louvando a Deus (Sl 126.2,3,6; 30.5). As misericórdias públicas merecem reconhecimento público nos átrios da casa do Senhor. “Em sinal de reconhecimento, um culto de louvor foi realizado no local da vitória, foi dado ao lugar um nome comemorativo: ‘beraca’, que em hebraico quer dizer: ‘vale da benção’ (v.26). Outro culto de louvor foi conduzido no templo ao retornarem a capital do reino” (vs. 27,28) (ADEYEMO, 2010, p.519).
3.4 Deus glorificado entre os reinos e a paz em Jerusalém (2Cr 20.29,30). Diante da ação soberana de Deus ao livrar o seu povo, o temor tomou conta dos povos à volta de Judá. Quando eles ouviram que Deus pelejou desse modo espantoso  por Jerusalém, isto gerou nos vizinhos uma reverência a Deus e um temor cauteloso de fazer algum mal ao seu povo, estabelecendo Deus  a paz no reino de Judá. Ter descanso no livro das Crônicas é resultado das bençãos provenientes da obediência (2Cr 14.5-7; 15.15; 1Cr 22.8,9,18). Os servos de Deus não devem se deixar levar pelas calamidades desta vida, pois podemos experimentar em meio as lutas a paz que excede todo o entendimento: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.  E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus" (Fp 4.6,7).
CONCLUSÃO
Podemos concluir por meio dessa belíssima história, que apesar das calamidades serem comuns na vida cristã temos a condição de reagir de forma correta, como quem tem a confiança que Deus tem o controle de todas as coisas e poder para agir em favor de seus servos: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). 
REFERÊNCIAS
ANDRADE, Claudionor Correa de. Dicionário Teológico. CPAD.
ADEYEMO, Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. MUNDO CRISTÃO.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
SELMAN, Martin J. Série Cultura Bíblica. VIDA NOVA.
GARDNER, Paul. Quem é Quem na Bíblia Sagrada. VIDA.


Fonte: Departamento de EBD da IEADPE